quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Mano


As esquinas e praças da cidade jardim nunca mais foram às mesmas depois que você partiu. As amizades acabaram, a desunião e falsidade tomaram conta desse lugar.
Sua alegria ainda é lembrada por muitos, seu jeito tímido perto dos outros, suas toses medrosas, suas atitudes de amizade.
Lembro até hoje quando nos íamos, soltar pipa e você com seu tom de ironia se dizendo o melhor naquela brincadeira. Também não posso deixar de lembrar da sua primeira bicicleta, o cuidado que você tinha para que ela fosse a mais chique da região.
E nossas diversões, eram às vezes perigosas, mas porem divertidas, sem contar que eu era o mais corajoso, na hora de aprontar as travessuras.
Lembro-me como se fosse hoje, os últimos meses seu por aqui, tiramos várias fotografias para o nosso então flogão, os mandes pela cidade jardim ainda restam muitos, e sua primeira e única namoradinha, sofreu muito quando você nos deixou.
Sua família nem se fala, seu irmão ainda sofre demais com sua perca, mas o que conforta mais seus familiares e amigos é saber que você está em um lugar melhor e olhando por todos nós ao lado do nosso pai maior.
Pô Diego nem eu sabia o tanto que eu te considerava, você foi um amigo que partiu deixando saudade, naqueles que te admirava.
Renato Garcia
Homenagem há um amigo.
(e-mail para contatos : Renatogarcia.jornalismo@gmail.com)

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

O Coruja


Antes dela nascer, pensava que eu nunca ia querer vê-la, mais quando a vi pela primeira vez me apaixonei por sua inocência, é certo que a mãe ainda era muito jovem, e que não concordei com aquela atitude, mais pensando bem todo mundo erra.

Hoje, curto cada passo da sua evolução. Desde o cabelo que parece molinhas, até mesmo seu andar aprendiz muitos tombos, as primeiras travessuras, como quebrar um quadro de foto antiga da família, com o dedinho ali na tomada, tive sim que soltar algumas palmadas mais foi para o bem desse bebê. Atualmente ela já solta algumas palavras e é muito amada.

Seus olhinhos me lembram duas jabuticabas pretinhas e bem docinhas, sua boca é carnuda e o nariz amassadinho sua pele é de maçã.

Sem falar que antes de ela nascer todos me gozavam dizendo assim:
-“Olha lá o que vai virar o titio coruja!”.
E eu levava na ignorância dizendo que nem pegá-la eu iria.
Como se os ditos populares fossem certos, caí em contradição, foi só ela nascer quando comecei a ver sua inocência e que aquela pequenina não tinha culpa de nada.
hoje querendo ou não ela virou a sensação da minha casa, quando ela não esta tudo parece estar fora do ar, bastou ela chegar para a casa novamente se alegrar.

Agora é só me perguntar que eu logo tenho historias dela pra contar.
Como se não bastasse o apelido titio coruja pegou, agora na rua assim que me param é perguntam sobre a tal bebê:
- “E ai titio coruja como está a neném?”
- Lá venho eu com a boca cheia pra dizer, ta ótima e é um poço de inteligência você nem vai acreditar mais a Ana até já começou a falar.
-“Nossa como o tempo passa rápido né titio coruja parece que foi ontem que eu a peguei no colo recém nascida!”.
-Logo eu respondi: de agora pra frente o tempo vai voar e quando a gente menos esperar lá vem ela com o papinho de namorar, ai você já viu né, ninguém consegue segurar.
-“E depois eu vou à sua casa fazer uma visita coruja”.
- Com muito humor respondi o vai mesmo que você vai os motivos que me levaram a ser o titio coruja.
Hoje a tenho como orgulho da nova geração é tão inteligente e a beleza nem se fala, pois ela tem de sobra vai dar trabalho pra família é pra esse titio coruja.
Renato Garcia
Palavras a minha sobrinha.
(e-mail para contato: Renatogarcia.jornalismo@gmail.com)

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Pra não dizer que não somos capazes


Como se tudo repetisse em épocas diferentes voltamos a seguir talvez um dos hinos mais revolucionários do Brasil, Violências impunes, forças covardes e uso abusivo do poder. Quem sabe os tempos de ditadura voltaram, e esqueceram de nos avisar.

“Há soldados armados, amados ou não, quase todos perdidos de armas na mão. Nos quartéis lhes ensinam antigas lições, de morrer pela pátria e viver sem razão.”

Vem vamos embora, que lutar contra eles não vamos conseguir.Deputados, Jornalistas, Estudantes, Cidadãos de bem que tentarem soltar alguma crítica contra esse batalhão poderá sofrer represálias gravíssimas por parte deles.

“Nas escolas, nas ruas, campos, construções, Somos todos soldados, armados ou não, Caminhando e cantando e seguindo a canção,Somos todos iguais braços dados ou não.”

Quem sabe faz à hora, não podemos mais aceitar.Se nos mesmos pagamos e criamos isso, nós mesmos podemos lutar por direitos iguais e que eles cumpram a lei, se o poeta foi literalmente morto por eles, e caiu no conto do esquecimento, imagina o sicrano que mora lá na vila vai quem quer, nem mencionado será.

“Os amores na mente, as flores no chão, a certeza na frente, a história na mão, caminhando e cantando e seguindo a canção, aprendendo e ensinando uma nova lição.”

Não espera acontecer, não vamos ficar parados e irmos de encontro com o azar. Temos casos estourados na mídia que relatam desaparecimento de pessoas, Comprovada pela vista de testemunhas. Os corpos às vezes aparecem mortos, ou simplesmente somem sem sabermos onde foram parar.

“Vem, vamos embora, que esperar não é saber quem sabe faz a hora, não espera acontecer...” (Geraldo Vandré).
Renato Garcia.


(e-mail para contato: Renatogarcia.jornalismo@gmail.com)

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Loucura ou lucidez?


Um dia andando por esse mundo imenso, perdido em ruas e esquinas me deparei com ela. Ela que não tinha medo de nada e tinha uma espécie de loucura e lucidez, talvez por circunstâncias da vida sofrimento, abandono, pobreza, muita luta ela traga com sigo mesma essa revolta gerada por tudo isso e mais um pouco.
Ela tinha frases engraçadas como:
- Na escola não se aprende se copia;
Mas ela tem suas próprias teses ninguém poderá julgá-la, já que defendemos a liberdade de expressão e pensamentos, às vezes levanto uma questão.
Será que todos nos temos uma Estamira dentro da gente? Com vontade de por pra fora tudo que pensamos por mais ridículo que possa ser esse pensamento? Ela fala sem medo e sem ligação a nenhum meio, vive uma vida de pobreza, mas que não deixa de ser digna.
De restos daquilo que geralmente não utilizamos mais ela vive sua vida, sustenta sua casa e dois filhos, uma guerreira sem medo de ser feliz, já que o mundo pregou tantas peças, como dizia o poeta talvez você não entenda mais ela é estilo o medo do fraco,
a cor do luar, o medo de amar, a força da imaginação e até mesmo as juras de maldição.
Uma dona de casa, mãe e avó, sonho daqueles homens que vêm a sua coragem e determinação.
Renato Garcia.

(Texto ligado ao documentário Estamira.)